quarta-feira, 17 de junho de 2009

No more questions

Te peço, por mim, não faça mais perguntas. Como sempre vou responder mais do que devo e mais do que acho que quero. Eu não acho nada, entende? Eu não sei de porra nenhuma. Portanto não me pergunte. Até porque ainda que soubesse, eu não tenho vontade de saber, isso já modifica bastante as coisas. Se eu pudesse eu ia embora disso aqui tudo agora. Agora mesmo. Eu me transportava pra chuva fina naquela praia escura, deserta, os bares fechados já. Acho que eu teria medo de andar sozinha.

Eu descobri uma coisa muito grave. Sou viciada nas pessoas. Eu odeio elas, não suporto conviver, tenho repulsa, as vezes até nojo. E não consigo me ver sem elas. Eu preciso delas. Não o tempo todo, pelo amor de Deus. Mas eu realmente preciso estar com elas. Respirar elas, faze-las rir, ouvir elas, entende-las, deitar junto, dividir as coisas, sim, eu gosto disso, de verdade, é tipo um vício porque ao mesmo tempo elas me fazem muito, muito mal, eu fico com saudade de mim e querendo a minha mãe, mas isso são só momentos. Daqui a pouco eu sou uma delas e adoro a sensação. Mas enjôo muito fácil. E sei fingir também. Eu preciso de um tempo. Não dá tempo, eu sei. Mas farei o que puder até os próximos cinco minutos indefinidos.

Lara Gomes,
amiga que mora em Valinhos, faz teatro e ótimos textos.

- faço das palavras dela as minhas. -

quinta-feira, 7 de maio de 2009

(8)

é esse maldito aperto no peito que não me deixa respirar, não me deixa dormir, não me deixa pensar.
sentada no sofá, trocando os canais constantemente, procurando por algo de bom para ver - mesmo sabendo que eu não irei achar - com todos aqueles inúmeros canais, nenhum de bom, pelo menos não por agora.
não é possivel que com tantos canais, UM não sirva. será que são eles que são ruins ou o meu gosto é pior ainda? será que o dinheiro gasto todo o mês para a tv a cabo não é mais nada que dinheiro jogado no lixo? será que a tv ficou insuportavelmente chata, tão chata quanto eu ?
desligo.
talvez o silêncio possa ser uma boa companhia. todas as minhas vozes interiores trocando informações, colidindo umas as outras, falando cada vez mais, mais e mais alto. será que nem elas se compreendem mais?
silêncio de novo.
por que esse vazio agora? eu não tenho nada a me preocupar. eu não quero me preocupar com nada. eu quero um tempo pra mim.
vazio. vazio.
ouço uma voz meiga e doce a cantar, toda desafinada, uma música que eu desconheço. a voz se embaralha com o soar das palavras. sai do ritmo, empaca, gagueja.
olho na janela.
sentada em frente a sua casa, está uma menininha, de uns 6 anos, cantando na companhia de seu cachorro, bem maior que ela, uma triste canção.
será que ela sente esse vazio também? será que essa angústia enorme toma seu pequeno peito igual toma ao meu nesse exato momento? será que cantando, ela conseguirá afastar todos os montros de dentro de sua cabeça?
não sei.
crianças podem ser mais espertas que os adultos e esses se julgam mais capacitados e superiores que elas. será que é por que crianças sentem e adultos pensam?

-
queria voltar a ter 6 anos.
odeio verbos no futuro do pretérito.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

life is wonderful


praia é um lugar lindo, não é?
areia até no cu, água salgada no estômago e peixe entre os dentes. vendedores ambulantes tentando vender seus artesanais pra conseguir um pouco de felicidade irreal. pinturas sem cor, vento com canto, ar com cheiro. a felicidade dos adultos como fonte para a nossa e o dormir infinito que nos persegue a todo tempo. bastante tempo para nada. pouca coisa para tanto espaço. o nada dentro do tudo. o simples no complexo e tudo isso deixando de existir.
como é que a gente ainda consegue viver assim?